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A Record News fez história na noite desta quarta-feira (12): o canal de notícias se tornou a primeira emissora da televisão brasileira a ter, simultaneamente, duas jornalistas negras comandando o seu principal noticioso. Foi a primeira vez em que Salcy Lima e Mariana Bispo dividiram a bancada do Jornal da Record News, que é normalmente feito por Gustavo Toledo e Camila Busnello. Foi uma evolução rápida em comparação com a primeira vez em que dois negros apresentaram juntos um telejornal de horário nobre, que aconteceu apenas em 2018, quase sete décadas depois da primeira transmissão oficial de televisão no país.

Habitualmente conduzidos por jornalistas brancos, os jornalísticos de horário nobre avançaram na representatividade apenas em agosto de 2018. Naquele mês, Luciana Camargo e Rodrigo Cabral entraram para a história da televisão nacional ao se transformarem na primeira dupla negra a comandar um telejornal veiculado na faixa de maior investimento publicitário do país. O pioneirismo do movimento foi da RedeTV! e a iniciativa só foi reproduzida pela Record e pela Globo, vice-líder e líder de audiência no Painel Nacional de Televisão, mais de um ano depois.

Em agosto de 2019, foi a vez da Globo ter dois negros na bancada do Jornal Nacional. Meses depois, como forma de visibilidade no Dia da Consciência Negra, a Record escalou Luiz Fara Monteiro e Salcy Lima para comandar o Jornal da Record em 20 de novembro — o movimento foi seguido pela emissora na mesma data em 2021, com Fara dividindo a bancada do jornalístico com a então repórter Mariana Bispo, que também estava no comando da edição histórica do Jornal da Record News.

A escalação de duas negras para o comando de um noticiário de horário nobre representa um marco no combate a desigualdade racial no país. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE apontou que, em 2019, mais de 56% da população brasileira se declarava como negra. A população nacional, por sua vez, conta com 27,8% de mulheres negras em sua composição. Em uma nação composta majoritariamente por negros, fica a torcida para que marcos como o da noite de quarta se tornem cada vez mais frequentes, ao ponto de não precisarem serem noticiados.

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