Mundo Estranho

Superinteressante – Abril

A Nasa é responsável por construir, lançar e operar a maior parte das sondas não tripuladas que exploraram o Sistema Solar nas últimas décadas – a última delas foi a Parker, que decolou rumo ao Sol mês passado. Mas há exceções ao monopólio dos americanos. Por exemplo: em 2004, a agência espacial europeia, conhecida pela sigla ESA, lançou a sonda Rosetta, que colheu dados de um cometa chamado 67P/Churyumov-Gerasimenko.

© Reprodução A ilustração mostra as sondas Minerva-II 1 e Minerva-II 2 pousando no asteroide Ryugu. Elas parecem grandes, mas a verdade é que têm só 7 centímetros de altura, e pesam pouco mais de 1 kg.

Agora foi a vez do Japão conquistar um pedacinho do céu. A sonda Hayabusa 2, 100% nipônica, chegou em 27 de junho ao asteroide 162173 Ryugu, localizado entre Marte e Júpiter. Passou alguns meses dando voltas em torno do corpo de 1 quilômetro de diâmetro e, na última sexta (21), colocou em prática seu truque mais ousado: lançou dois pequenos veículos, chamados Minerva-II-1 e Minerva II-2, que pousaram sem incidentes.

As Minervas-II 1 e 2 são cilindros de 18 centímetros de diâmetro e 7 centímetros de altura, e pesam 1,1 kg cada uma (você pode vê-las na imagem do começo da nota). Uma delas carrega quatro câmeras, a outra, três. A ideia é que elas façam uma espécie de Google Street View de Ryugu, tirando fotos em diversos ângulos para depois combiná-las em uma única visualização. Elas também possuem sensores de temperatura, entre outros equipamentos científicos.

A dupla de pequenas pioneiras foi descrita na mídia com a palavra rover – que normalmente se refere a veículos com rodas, como os jipinhos de três eixos Curiosity e Opportunity que exploram Marte. Mas o termo não faz juz ao método de locomoção escolhido pelos japoneses: as duas se aproveitam da baixa gravidade do pedregulho para pular por aí, feito cangurus.

Ryugu não foi escolhido como objetivo da missão à toa. O asteroide tem grandes chances de entrar em rota de colisão com a Terra num futuro distante, e investigá-lo a fundo é importante para evitar que isso aconteça. A agência espacial japonesa, chamada Jaxa, já tinha alguma experiência em lidar com pedrinhas cósmicas: em 2005, a sonda Hayabusa 1, precursora da missão atual, havia tentado coletar amostras da superfície de outro asteroide, chamado Itokawa. Não conseguiu, mas voltou à Terra em segurança – o que, por si só, foi um feito tecnológico importante para um país sem tanta tradição em viagens interplanetárias.